O vento que sopra
Em minha cidade
Se expressa
Grita
Entre as paredes de
Concreto
(com seus azulejos brancos)
"Quero voar!'
Como o útero
Que grita
"Quero ser livre!"
Para poder vagar
Entre as ruas
Históricas
Entre os corpos
Carregados de dor
Odor de noite
Fria
Que precede o dia
Quente
Onde os corpos se movimentam
Perambulando
Encorpados
Encarnados
Suados
Nas ruas sem vento
Da minha cidade
Recife, 16 de Julho de 2015
terça-feira, 28 de julho de 2015
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Se Deixar
Vem, entra
Pode se demorar
Sem pressa
Não precisa ir embora
Tira o casaco
Não precisa se armar
Pode deitar
Dorme
Amanhã de manhã te acordo
Podemos tomar café
Talvez te transforme em conto
Pode se demorar
Sem pressa
Não precisa ir embora
Tira o casaco
Não precisa se armar
Pode deitar
Dorme
Amanhã de manhã te acordo
Podemos tomar café
Talvez te transforme em conto
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Ausência
Finjo que esqueço teu nome
Pra talvez ocultar teu rosto
Das memórias que vem a tona
Quando lembro teu cheiro
É de todo, meu desgosto
Perceber que, no entanto
Estás escrito por toda a casa
Desde o portão até os azulejos frios do banheiro
Não me tome por ingrata se, por acaso
Num surto de desespero
Arrancar teu nome, tua marca, tua voz
Desse espaço
É que as vezes as mãos cansam
De tatear, no escuro
Em busca de teu peito
Ausente
Pra talvez ocultar teu rosto
Das memórias que vem a tona
Quando lembro teu cheiro
É de todo, meu desgosto
Perceber que, no entanto
Estás escrito por toda a casa
Desde o portão até os azulejos frios do banheiro
Não me tome por ingrata se, por acaso
Num surto de desespero
Arrancar teu nome, tua marca, tua voz
Desse espaço
É que as vezes as mãos cansam
De tatear, no escuro
Em busca de teu peito
Ausente
sexta-feira, 13 de março de 2015
Quão Belo Seria Vinicius
Ah, o Soneto de Fidelidade
tão belo
e feliz
e terno
seria
se não houvesse, no mesmo livro
Oh, inocente leitor
o Soneto de Separação.
tão belo
e feliz
e terno
seria
se não houvesse, no mesmo livro
Oh, inocente leitor
o Soneto de Separação.
Da Noite Que Não Sei
Talvez eu te ame
E talvez eu me perca.
Talvez me engane
E teu sorriso frouxo
E tua voz grossa
E teu canto bobo
Me encante
Em tua boca
De doces lábios
Em tua saliva
Libidinosa
Me encontre
E em teus bracos
Fortes
Em teu peito
Leve
Faça casa pra morar
Em teu pesar, passe
Em tua rima, viva
Em teu sonho, seja
Tua mulher
Talvez
E talvez eu me perca.
Talvez me engane
E teu sorriso frouxo
E tua voz grossa
E teu canto bobo
Me encante
Em tua boca
De doces lábios
Em tua saliva
Libidinosa
Me encontre
E em teus bracos
Fortes
Em teu peito
Leve
Faça casa pra morar
Em teu pesar, passe
Em tua rima, viva
Em teu sonho, seja
Tua mulher
Talvez
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