domingo, 28 de agosto de 2016

Letra sem tituto para um samba triste

Ah, se você soubesse
Quanto ficou por dizer
Quantas palavras apagadas
Quantas noites acordada
Quanto desejo de você

Vai na janela dele
Diz como  estou querendo lhe ver
Diz que fiquei
Como a boca não beijada
A jangada abandonada
A bodega sem freguês

Diz que é pra ele perdoar
Os descaminhos meus
As facas que apontei
Os muros que ergui
O barco que afundei
A nuvem que pesou
E por fim descarregou
No verão teu

Ah...

domingo, 17 de julho de 2016

A roupa com que vou

Hoje eu vou sair por ai
Vestida de mim mesma
Desfilar pelas ruas
Com a tendencia que dito
Pra lacrar com meu carão

E não me venha dizer
"cafona"
"brega"
Julgar meus sentimentos
ou a minha combinação

Na minha passarela
e nem no meu peito
Cabem suas críticas
Pras cores que fazem
A minha estação

domingo, 15 de maio de 2016

Ansiedade

Preciso escrever.
Mergulhar fundo com a alma
Num sentimento qualquer

Mas só consigo meias palavras
Dois ou três versos
E uns rasos goles de café.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Engarrafado

As vezes
Acontece um
Sol
Se pondo
Na cidade
E fica laranja
Na janela
(com sombra)
Do ônibus
Engarrafado
na Rosa
& Silva

Quando
Esse lugar
Acontece
Fica no ar
(apesar do calor)
Que aquele foi
Um dia bom
Semana boa
Talvez um mês

Então
Quase que deixamos
A luz entrar
Pelos
Poros
Tecidos
Entranhas
Quase que até
O sistema
(neurótico)
Nervoso

Sempre
Que o universo
Converge
Num por do Sol
Laranja
Na janela
(com sombra)
do Dois Irmãos
(Rui Barbosa)
na Rosa
& Silva
Se solta
Um Sorriso

Vira lata
Desses que
Não se acostuma mas
em casa.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Ventania (noite fria)

O vento que sopra
Em minha cidade
Se expressa
Grita
Entre as paredes de
Concreto
(com seus azulejos brancos)
"Quero voar!'
Como o útero
Que grita
"Quero ser livre!"
Para poder vagar
Entre as ruas
Históricas
Entre os corpos
Carregados de dor
Odor de noite
Fria
Que precede o dia
Quente
Onde os corpos se movimentam
Perambulando
Encorpados
Encarnados
Suados
Nas ruas sem vento
Da minha cidade


Recife, 16 de Julho de 2015



sexta-feira, 29 de maio de 2015

Se Deixar

Vem, entra
Pode se demorar
Sem pressa
Não precisa ir embora
Tira o casaco
Não precisa se armar
Pode deitar
Dorme
Amanhã de manhã te acordo
Podemos tomar café
Talvez te transforme em conto

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Ausência

Finjo que esqueço teu nome
Pra talvez ocultar teu rosto
Das memórias que vem a tona
Quando lembro teu cheiro

É de todo, meu desgosto
Perceber que, no entanto
Estás escrito por toda a casa
Desde o portão até os azulejos frios do banheiro

Não me tome por ingrata se, por acaso
Num surto de desespero
Arrancar teu nome, tua marca, tua voz
Desse espaço

É que as vezes as mãos cansam
De tatear, no escuro
Em busca de teu peito
Ausente