quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A LENHA DO FOGÃO






A lenha alimenta a chama
Que alimenta a boca
do fogão, que alimenta
a mesa, que alimenta
o menino, que alimenta
a fome, que alimenta
O tempo
que faz
girar
O moinho.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

De Corpo e Alma.

Chego. Não encontro em mim todas as formas de que preciso, mas sendo eu nuvem branca e leve, me faço de metamorfose e uso isso em meu favor. Não trago comigo o fervor no sangue, as veias tensas, não. Tenho um mantra em meu corpo que acalma a tensão entre minha alma e aqueles tecidos ditos de carne e formas. Sistemas de órgãos dentro de mim, os quais me condenam ao finito temor pela morte. Que seja reciproco, tal medo. Que o fim tema me encontrar, pois estarei dessa vez na mesma forma que cheguei, mas com o espirito das formas anteriores, que se fizeram em mim durante meu caminho neste lugar. Digo então, que não sairei daqui, encarando a more, sem lhe deixar marcas de quem sou, do que fui, do que vivi. O que mais é a vida se não os pedaços que deixas por ai, se transformando e entrando em outros almas, em outros tecidos. Outras células nervosas. Morremos varias vezes, todos os dias, a cada passo, durante todo nosso caminho. Se transformar é dar  morte aquilo que já foi e não mais sera. Me encontro comigo, em outras formas, em cores diferentes, se comunicando por línguas que desconheço, mas que fazem sentido a minha alma, mãe de todas as formas, formula intocada. Sou isso, sou aquilo, sou metade e sou inteiro. Sou quem deseja, sou a morte que vive em mim, me fazendo viver a cada dia. Mudo, vivo, morro. Saio de mim e me encontro na rua, sorrindo.